O projeto SOLO documenta a história de doze mulheres, mães solo, vivendo a pandemia no Brasil, durante o ano de 2020. Sete estados, sete fotógrafas que acompanharam durante dois meses, a rotina dessas famílias.

 

" Quando a pandemia da Covid-19 começou no Brasil, em meados de março, a pergunta, logo de cara, foi: como tudo isso vai bater em um dos países mais desiguais do mundo? Parecia óbvio que essa desigualdade econômica e social ia aumentar, ainda mais diante de lideranças que não deram importância ao isolamento social, mesmo diante da letalidade do vírus. Um dos primeiros casos de morte por Covid-19 que saiu na imprensa foi o de uma trabalhadora doméstica, contaminada por ter ido trabalhar na casa de patrões infectados, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que na internet circulavam mensagens de apelo pedindo para as pessoas ficarem em casa. Com o fechamento dos comércios e serviços e com o desemprego em alta, o medo da fome e da volta da pobreza extrema ficaram evidentes e, em um cenário já tão pavoroso para todo mundo, com tanta insegurança e incerteza, outra questão veio à tona. Como estão as milhares de mães solo brasileiras? Como lidar com o risco de se infectar com um vírus que pode ser letal, com a falta de emprego, home office, filhos em casa sem creche ou escola, além de toda sobrecarga mental?

No Brasil de 2015 eram cerca de 11 milhões de mães solo segundo o IBGE - hoje, o número pode ser ainda maior. 50 milhões de mulheres são chefes de família e, portanto, responsáveis pelo sustento da casa. Quando parar não é uma opção, como dar conta? Em abril, o governo federal autorizou o auxílio emergencial de R$600 para profissionais autônomos e desempregados. Mulheres chefes de família estão aptas a ganhar cota dupla, de R$.1200, mas na prática, muitas delas não receberam ajuda nenhuma."

|  Projeto financiado pela National Geographic |

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